Blog do Pr. Mário Sérgio

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"Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado." (2Co 12.5)

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Visão Geral do Departamento de Discipulado

O Autor: Mário Sérgio de Araújo Silva, é pastor auxiliar na Assembleia de Deus em Joinville/SC, Supervisor do Setor 18 (Bom Retiro). Possui formação em Sistemas de Informação, Direito e Teologia.

Introdução

O assunto do discipulado tem despertado a igreja atual de uma forma impressionante. Grandes eventos, literatura farta, projetos nacionais, metodologias diversas, enfim, muito já se tem discutido sobre o tema atualmente. O grande desafio disso tudo continua sendo a prática, ou seja, como aplicar isso a realidades locais bem aquém muitas vezes do “alto nível” que se tem pregado no discipulado de muitos na atualidade. Devemos sempre partir de alguns princípios fundamentais, como: que o objetivo fundamental do discipulado é transmitir o exemplo de Cristo para os pecadores, a fim de que se tornem discípulos aptos a formarem outros discípulos; que a metodologia de Jesus foi corporal, próximo das pessoas e se utilizando de situações do cotidiano para ensinar as suas verdades. Outra observação gira em torno do comodismo pregado pela igreja atual, que busca sempre suas ‘vitórias e bênçãos espirituais’ dentro de templo cada vez mais fechados e aconchegantes para esse fim. Nesse contexto, os relacionamentos estão sendo deixados de lado e a ‘adoração individual e exclusiva’ está tomando conta da liturgia e da vida das pessoas. Como planejar então um discipulado organizado e de resultados para as igrejas locais, é o que vamos apresentar aqui.

Uma Visão Geral

Se observarmos a bíblia sagrada, especificamente no livro dos Atos dos Apóstolos, vamos perceber a forma como a Igreja começou a sua jornada. Como nasceu, como gerou seus primeiros frutos e como cresceu nos seus primeiros anos. Enfim, vamos perceber que na prática, a igreja, assim como a sua doutrina base, foi se moldando até o que temos hoje. Vamos ver que a evolução temporal vai organizando a forma de pensar e de trabalhar determinadas necessidades comuns ao povo de Deus. Um grande exemplo disso tudo é a Escola Bíblica Dominical, os cultos de ensinamentos, ou de doutrina, e porque não citar nosso foco, o discipulado.

Segundo Maximiano(1992)[1] "uma organização é uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Por meio de uma organização torna-se possível perseguir e alcançar objetivos que seriam inatingíveis para uma pessoa. Uma grande empresa ou uma pequena oficina, um laboratório ou o corpo de bombeiros, um hospital ou uma escola, a igreja local ou um departamento desta são  todos exemplos de organizações."

Uma organização é formada pelo soma de pessoas, máquinas e outros equipamentos, recursos financeiros e outros insumos. É o resultado da combinação de todos estes elementos orientados a um objetivo comum, gerando como consequência a qualidade e o crescimento.

Também é importante comentarmos sobre planejamento. Planejamento é uma palavra que significa o ato ou efeito de planejar, criar um plano para otimizar a alcance de um determinado objetivo. Esta palavra pode abranger muitas áreas diferentes. Consiste em uma importante tarefa de gestão e administração, que está relacionada com a preparação, organização e estruturação de um determinado objetivo. É essencial na tomada de decisões e execução dessas mesmas tarefas. Posteriormente, o planejamento também é a confirmação se as decisões tomadas foram acertadas (feedback). Um indivíduo que utiliza o planejamento como uma ferramenta no seu trabalho demonstra um interesse em prever e organizar ações e processos que vão acontecer no futuro, aumentando a sua racionalidade e eficácia.

Com base nisso tudo, por que não planejar um discipulado organizado na igreja local?

A Organização Local do Discipulado

Vamos partir do preceito de que todos os membros da igreja local devem ser participantes do processo de organização, uma vez que todos estão subordinados à mesma autoridade que é Deus, por meio dos mandamentos das escrituras, particularmente o que está escrito em Mt 28.19,20. Além disso, vamos elencar passo a passo os fundamentos para que alcancemos de fato nosso objetivo, um discipulado local organizado e funcional, ou seja, completamente eficaz.

  1. Esclarecimento da Liderança

O primeiro requisito para um discipulado planejado e organizado não poderia ser outro. A liderança da igreja local precisa estar inteirada sobre o conceito do discipulado, assim como da sua fundamentação bíblica e da necessidade bíblica da prática dessa atividade localmente. Tudo deve partir da liderança da igreja local, é a pedra fundamental de todo o processo a ser desenvolvido. O trabalho dos futuros líderes e discipuladores só terá êxito se estiver de pleno acordo com a liderança.

  • Conscientização da Igreja

O segundo passo é a conscientização da igreja local. O maior obstáculo para que o discipulado não flua é a própria igreja local quando não trabalhada para receber o discipulado. É a igreja quem cria, mas também a que mata os novos convertidos, assim como todas as tentativas de se desenvolver qualquer ação voltada ao cuidado eficaz e à integração.

  • Elaboração e Publicação de uma Metodologia

Não tem como fugir desse terceiro ponto. Muitos resistem a uma metodologia, sob vários pretextos, para desenvolver os inúmeros trabalhos das igrejas. A experiência nos mostra que um trabalho sem metodologia está condenado ao fracasso, assim como até pela morte espiritual dos obreiros e pessoas envolvidas. É sempre a mesma coisa, resistem e resistem a um método, mas acabam por implantar um, mesmo que seja aos poucos e, quando menos se espera, há um conjunto de diretrizes regulando o trabalho. Outra coisa a ser lembrada sobre esse ponto é que a metodologia bem definida e bem documentada refletirá a visão local sobre o discipulado. Também não adianta ter uma grande e complexa metodologia se não se torna essa pública e acessível a todos da igreja local, para que o trabalho sempre flua de acordo com o que foi definido pela liderança da igreja. Hoje, a falta de publicidade de muitas grandes metodologias, tem sido um dos fatores para o descrédito do discipulado em muitos lugares.

  • Uma Equipe Qualificada

É em verdade que o requisito para ser discipulador em qualquer lugar é a consciência da sua missão, de acordo com a bíblia, e o consequente amor pelas almas. Quando o assunto é equipe local, devemos ter em mente que esses membros da equipe, ou a liderança local, serão os grandes fomentadores do trabalho dentre a igreja. São eles que vão propagar a metodologia a fim de ter resultados expressivos para a igreja local, e isso inclui motivação aos liderados, conhecimento da visão da igreja, qualificação de novos discipuladores, e capacidade de criar novas rotinas a fim de atender os desafios locais que surgirão naturalmente quando tudo estiver em pleno funcionamento. A falta de qualificação da equipe é o principal motivo da desistência do trabalho.

  • Avaliação de Resultados

Como em toda organização, os resultados devem ser sempre avaliados. É nos resultados que refletem todo planejamento de qualquer trabalho implantado. Os resultados também, que no discipulado são de curto e médio prazo, são os frutos do trabalho e servirão para a avaliação de todas as rotinas que compõe o amplo trabalho do discipulado na igreja local.

  • Manutenção de todo o processo

Por ser um trabalho de curto e médio prazo, eis o desafio do discipulado local, manter o trabalho vivo, em pleno funcionamento e sem se distanciar do plano original. Esse é um ponto que comumente é lançado sobre os ombros da liderança do discipulado, porém a liderança da igreja local também deve está consciente da necessidade de manutenção desse processo, seja por meio da manutenção financeira ou pela observância dos itens anteriores.

Conclusão

Concluímos mostrando que não há como fugir da realidade de se planejar e se organizar o discipulado local. Com a organização e o enquadramento em uma metodologia bem definida, logo vem os resultados e o consequente crescimento e amadurecimento da igreja local.

Referências Bibliográficas

- BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL.  Trad. por João Ferreira de Almeida, notas por Donald C. Stamps. Rio de Janeiro : CPAD, 1995.

 - MAXIMIANO, ANTONIO CESAR A.  Introdução a administração. 3ª ed., São Paulo, Editora Atlas, 1992.


[1] MAXIMIANO, ANTONIO CESAR A.  Introdução a administração. 3ª ed., São Paulo, Editora Atlas, 1992.

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