Blog do Pr. Mário Sérgio

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"Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado." (2Co 12.5)

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Avançando em Unidade Através do Acolhimento

Sobre o Autor: Mário Sérgio de Araújo Silva, é pastor auxiliar na Assembleia de Deus em Joinville/SC, Supervisor do Setor 18 (Bom Retiro). Possui formação em Sistemas de Informação, Direito e Teologia.

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28)

Da Introdução

A obra de Deus avança, prospera, cresce, conquista novos territórios e se transforma no sentido de se moldar a partir do aprofundamento do estudo das Sagradas Escrituras. Com o discipulado não é diferente, vivemos e contemplamos isso a cada momento quando observamos a benção de Deus na vida dos que aceitam e permanecem nos caminhos do Senhor. Quem nunca ouviu o testemunho de alguém que aceitou a Jesus como Senhor e Salvador num momento difícil da vida, e que hoje é uma pessoa de destaque na obra do Senhor? Pois é! Apesar disso, não podemos perder o foco do conceito fundamental do que entendemos por discipulado, também termos a consciência de que o modelo que seguimos é bíblico, e que novas pessoas, novas vidas, precisam passar pelo mesmo processo, seguindo a ordem bíblica das fases que o tornarão um dia em um discípulo de Cristo, naquele que dará continuidade a todos os passos novamente, reproduzindo em outras pessoas as mesmas verdades.

O discipulado é um processo complexo e composto de fases, onde cada uma dessas fases deve ser executada com objetivos e determinação, independente da metodologia local utilizada. Aqui é importante lembrar que a não conclusão de uma fase do discipulado, pode trazer deficiência futura ao discípulo na obra do Senhor. Nesse trabalho, será destacado o acolhimento em vários aspectos do dia a dia da Igreja do Senhor.

Do Acolhimento

Não é difícil definir ‘acolhimento’ na língua portuguesa. Por exemplo, segundo o google, acolhimento é um substantivo masculino e tem por significado “ato ou efeito de acolher, acolhida, é a maneira de receber ou de ser recebido; recepção e consideração. Ainda pode ser abrigo gratuito, hospitalidade, local seguro, refúgio ou abrigo.”

Quando o assunto é discipulado, o acolhimento está diretamente relacionado à fase da receptividade, onde as pessoas (não crentes, novos convertidos, desviados que retornam, crentes de outras denominações, de outras cidades, e até mesmo aqueles crentes locais que estão no processo do discipulado ou não), são bem recebidas e bem acomodadas a fim de encontrarem um ambiente santo e acolhedor, que o conduza a Cristo com liberdade e facilidade. Nessa fase, é comum encontrarmos alguns erros cujo principal é achar que o acolhimento, dentro do contexto da receptividade, é responsabilidade exclusiva dos que atuam na recepção dos templos, na hora dos cultos, ou daqueles que buscam lugares vazios para as pessoas sentarem, em alguns lugares chamados acolhedores.

Na verdade, o acolhimento é responsabilidade de todos aqueles que estão envolvidos no serviço da Casa de Deus. É fácil entender que não adianta alguém ser bem tratado pela recepção na hora do culto, se não foi bem tratado na hora em que estacionava o veículo. Muitos sem experiência podem argumentar, nesse caso, que a recepção bem-feita elimina qualquer ferida... Nesse caso, não. A ferida pode até ser sarada externamente, porém internamente cria-se uma a mais que demorará um pouco para ser sarada. Poderíamos fazer inúmeras comparações utilizando diversas instâncias do serviço a Deus, seja na hora do culto ou não. Todos devem ser conscientizados sobre a importância do bom acolhimento, ressaltando que essa é uma missão de todos e que o objetivo final é a conquista das vidas para Cristo e a permanência das mesmas na casa de Deus servindo-O com alegria. Lembrem-se que as pessoas vão aonde se sentem bem e isso está bem relacionado com o fato de serem bem acolhidas.

Com base nisso, podemos então explorar esse precioso e rico assunto relacionando-o com públicos específicos e comuns no contexto da obra do Senhor. Assim, torna-se indispensável conhecer cada caso com a finalidade de atingir os objetivos nesse maravilhoso contexto em foco.

Do Acolhimento de Pessoas não Crentes

Devido tantos acontecimentos, particularmente os que afastam ou que criam barreiras para que uma pessoa se aproxime do Evangelho, seja no templo ou não, temos que pensar esse acolhimento no sentido mais amplo que o contexto do templo nos horários do culto. O desafio é se disponibilizar tão bem a ponto de que as pessoas não sintam medo, e sim sintam-se atraídas pelas verdades que o Evangelho às oferece.

Para ser mais preciso, vamos verificar algumas situações que está na mente de muitos não crentes: que serão coagidas a serem crentes; que serão exploradas financeiramente; que serão submetidas a uma lavagem cerebral; ou mesmo que serão derrubadas forçadamente em algum momento.

Sabendo dessas e de outras situações, ao que praticam o acolhimento devem trabalhar alguns aspectos básicos, como: manter sempre, mesmo que em situações hostis, um semblante de felicidade e cordialidade; focar em linguagem e atitudes que lembrem o ambiente espiritual, evitando gírias e modismos; se colocar sempre à disposição para servir enquanto durar o encontro, seja culto ou outra atividade; manter a atenção nesse público para evitar situação de pânico, ou acolher numa notória situação de desconforto.

Do Acolhimento de Novos Convertidos

Após passar toda a tensão e expectativa do período em que não era crente em Jesus, o, agora, novo convertido ingressa numa nova fase em sua vida de fé após a tomada de decisão em servir ao Senhor. Nessa etapa terá que passar por algumas fases fundamentais dentro do processo do discipulado, como a consolidação e a integração.

Nesse momento, torna-se indispensável promover, não um ambiente, mas, um clima, ou seja, algo unânime, de receptividade em meio aos mais antigos na fé, que é o acolhimento. O desafio aqui gira em torno da tolerância aos velhos costumes, às antigas práticas, e até mesmo à antiga linguagem. Também é importante lembrar que o novo convertido agora, devido a decisão para Cristo, enfrenta conflitos diretos e indiretos de relacionamentos (familiar, social, profissional, cultural, dentre outras áreas), e que Deus confiou à sua Igreja, não só a uma pessoa ou a um grupo de pessoas, a missão de cuidar para que esse se torne um seguidor de Cristo, servindo-o e gerando frutos conforme a Bíblia Sagrada determina (Mc 16.15; Mt 28.19).

A igreja então precisa ser conscientizada e preparada conforme metodologia já definida por sua liderança, sobre procedimentos para o correto acolhimento dos novos convertidos.

Do Acolhimento de Desviados

O coração de uma pessoa que se desvia dos caminhos do Senhor é envolto a questionamentos que tentam encontrar o motivo ou o culpado pelo distanciamento dos caminhos do Senhor. Geralmente, o desviado tem muitas reclamações a fazer, muitos motivos a apresentar e uma cegueira típica que quem não quer admitir o real motivo que insiste em o levar para longe de Deus.

O acolhimento aqui deve levar em consideração a necessidade de uma cura pois, na maioria dos casos essas pessoas precisam de duas atitudes fundamentais: de alguém que simplesmente o escute falar tudo o que preenche seu coração magoado cegamente;  de alguém que diga, objetivamente e com amor, que Jesus o ama.

Do Acolhimento de Coirmãos

De maneira simples, “diz coirmão os primos cujos pais são irmãos”. Nesse contexto se enquadram aqueles que são oriundos de outras denominações cristãs ou mesmo aqueles da mesma denominação, porém de outra localidade. O que deve levar em consideração, nesse caso, são as diferenças culturais que podem ir desde a maneira de se expressar até a maneira de proceder em relação a trabalhos constituídos e situações diversas do dia a dia. Um exemplo clássico pode ser o próprio discipulado, que é um mandamento bíblico aplicado por várias denominações em diversas regiões. Cada um com sua própria metodologia, costumes, regionalidades, mas com o mesmo alvo.

Nesse caso é indispensável que se escute ou observe cautelosamente e pacientemente. Que procure entender as diferenças, perguntando ou pesquisando sobre elas. Também aqui o acolhedor deve estar atento a situações que possam sujeitar ao risco eminente, por exemplo uma palavra ou expressão cujas interpretações ou significados sejam diferentes em denominações ou regiões.

Deve-se, como dica, evitar reações irônicas ou de extrema surpresa ao ser confrontado, o acolhedor, com pessoas assim. Lembre-se que o objetivo principal é que as pessoas sintam-se bem abrigadas, bem recebidas e se sintam em casa, bem a vontade para servir ao Senhor.

Do Acolhimento na Igreja Local

Nos itens anteriores tratamos focados no discipulado, mas aqui é no sentido geral, aonde, em termos gerais, há um departamento específico responsável pelo acolhimento das pessoas.

O que se pode comentar aqui é lembrar de um departamento cuja função principal é acomodar as pessoas, fazendo a ressalva que que acomodar não é sinônimo de acolher na maioria dos casos embora não seja o ideal separar as duas situações. Acomodar é tornar cômodo, confortável; já acolher a arte de receber bem.

Por fim e em resumo, sugere-se ser indispensável que o acomodador seja, antes de tudo, um bom discipulador.

Do Acolhimento de Jesus

São inúmeros os exemplos bíblicos do acolhimento de Jesus. Ele anunciava o reino de Deus de uma forma que todos eram atingidos pela mensagem e pelos milagres que operava.

“Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.” (Mc 6.34)

A passagem acima está no contexto que vai do versículo 30 ao 44 e trata da primeira multiplicação dos pães e peixes conforme narrativa do Evangelho segundo Marcos. Aqui encontramos na prática o cuidado de Jesus no sentido de demonstrar interesse pelo bem estar dos seus discípulos (.v31), e com a multidão que os seguia (.v34). Vemos aqui Jesus preocupado com a fadiga dos seus discípulos, mas também com os ensinamentos e a alimentação dos que o seguia.

Houve toda uma série de procedimentos no sentido de ter consideração por todos e, assim conduzi-los a Deus. Indiscutivelmente, Jesus é nosso referencial de acolhimento.

Da Conclusão

O presente trabalho apresenta de forma resumida o acolhimento como parte do processo do discipulado. Existem outros conceitos que poderiam ter sido explorados, como o de unidade, e o de discipulado, porém, o foco foi dado no próprio acolhimento.

Das Referências

- BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Trad. por João Ferreira de Almeida, notas por Donald C. Stamps. Rio de Janeiro : CPAD, 1995.

- Acolhimento, pesquisa feita em 26/01/2019 –

<https://www.google.com.br/search?q=acolhimento&rlz=1C1GGRV_enBR752BR753&oq=acolhimento&aqs=chrome.0.69i59l3j0l3.3487j1j8&sourceid=chrome&ie=UTF-8>

- Acomodar, pesquisa feita em 26/01/2019 –

https://www.google.com.br/search?rlz=1C1GGRV_enBR752BR753&ei=9utOXJewHMye_Qa604WQAg&q=acomodar&oq=acomodar&gs_l=psy-ab.3..35i39j0l9.107006.108748..109480...0.0..0.223.1710.2-8......0....1..gws-wiz.......0i71j0i67j0i131.ch_fVe3LSyM

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